O que acontece quando uma criança não recebe estímulos em casa?

Tempo de leitura: 6 minutos

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Conheci a aluna Beatriz, quando ela tinha 5 anos de idade, uma menina linda, educada, tinha enormes dificuldades na compreensão musical.

Não me refiro a uma compreensão teórica, e sim, prática.

Ela não conseguia absorver e, principalmente praticar o conteúdo que eu trabalhava com a turma.

E o mais interessante, é que ela era bailarina, onde se é exigido uma precisão rítmica.

Outros fatores que me intrigava bastante:

Ela não era uma criança tímida, nem insegura e nem apática, muito pelo contrário, participava muito bem das aulas e com motivação.

Acontece que, ela não se desenvolvia, tentei várias alternativas, e nada.

Ah! ela também não tinha nenhum problema mental e nem déficit de atenção ou de aprendizagem, era uma criança normal.

Os anos se passaram, e continuei dando aula para Beatriz…

A cada ano que passava, ela avançava um pouco, na verdade, muito pouco, muito aquém dos colegas da turma.

Isso me incomodava muito.

Quando ela estava no 4º ano, já com 9 anos de idade, começou a dar sinais de evolução, mas era algo inconsciente e automatizado, ela não percebia que estava fazendo certo, somente reproduzia.

Aos poucos ela foi avançando, até que no ano seguinte, já com 10 anos,

FINALMENTE ela estava alinhada com os demais. Não era nada extraordinário, mas pelo menos, não estava aquém do restante da turma.  

 

Eu refleti esse caso por muito tempo …

Não me contentava só pelo fato dela ter conseguido se alinhar com a turma e, de ter sido um processo que acabou bem. Eu queria saber o porque que ela era assim.

Porque em outras situações, onde a criança possui algum tipo de déficit, ou quando a criança é tímida, ou apática e desinteressada,  é mais compreensível, mas no caso dela não.

Ela possuía todas as características de uma pessoa aberta ao aprendizado, só que não fluía.

Mais tarde …

Conheci um pouco mais sobre ela, sua história, seus problemas, compreendi que suas dificuldades eram provenientes da ausência de estímulos em casa.

Diante disso, percebi que esta carência de estímulos foi determinante para que ela tivesse tanta dificuldade para compreender os ensinamentos musicais.

A história da Beatriz não é um caso isolado, muito pelo contrário, é algo comum em nosso meio.

Quando uma criança não recebe os estímulos necessários para o desenvolvimento de alguma área, consequentemente terá mais dificuldades na assimilação e, principalmente na aplicação.

Sempre tenho dito, e com muita insistência, que:

O Principal aprendizado vem de casa, com a colaboração efetiva dos pais.

Pais que delegam à escola o desenvolvimento cognitivo e emocional dos filhos, estão negligenciando essa riqueza.

Certa vez, postei no meu Instagram que, o melhor processo de musicalização começa em casa.

Então, uma professora me contestou dizendo:Nossa! Mas do jeito que está escrito, parece que os professores de musicalização não sabem o que estão fazendo! Com certeza os pais podem fazer um ótimo trabalho, mas os professores (eu sou uma, há 20 anos) fazem trabalhos excelentes com seus pequenos que tanto amam”.

Respondi a ela que: “A escola é a extensão da casa, e não o início do aprendizado”.    

É evidente que essa professora tem a sua razão para defender o seu trabalho e, eu valorizo isso, pois, também sou professor de musicalização e pai e, diante disso, posso constatar que se em casa, os pais não investirem em uma educação de qualidade em seus filhos, consequentemente vão chegar na escola bem abaixo do que poderiam. 

Sei que é doloroso ouvir isso, mas é a mais pura verdade.  

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Sabe por que isso acontece?

Porque a maioria dos seres humanos têm uma visão distorcida da realidade.

Acreditam apenas em imagens criadas pela cultura, conceitos e informações que recebemos durante a vida. 

Preferem ficar apegadas às suas convicções e crenças que muitas vezes limitam suas visões perante a realidade, do que investir em alta cultura, conhecimento, etc…

Só é possível conhecer a realidade, quando nos libertamos destas influências culturais e sociais.

Seja na escola, em casa ou na sociedade, aquilo que nos é passado, na maioria das vezes é superficial e distorcido. 

E, assim crescemos: incompletos, inacabados e medíocres. Condicionados a uma situação quase irreversível.

Na verdade, as pessoas se sentem mais seguras dentro desse mundo padronizado das grandes massas.

A maioria e, nesta lista me incluo também, esteve ou estão enclausuradas mentalmente, dentro de um mundo fechado e obscuro, como se estivessem com os olhos vendados.

Tudo o que acontece ao nosso redor nos dá a impressão de que a vida é mesmo assim, um mundo fechado, onde muitas vezes nos sentimos impotentes, pelo simples fato de não sabermos enxergar além do que vemos.  

Os pais precisam entender que, a forma que uma criança compreende a música é a mesma de que quando ela aprende a falar a sua língua nativa.

Um exemplo:

  •  Primeiro ela escuta bastante, desde o ventre: seus pais, parentes e amigos falarem.
  • Depois ela balbucia, começa a imitar palavras, e repeti-las.
  • Consequentemente sua memória vai criando padrões de palavras e frases.
  • Por fim, ela começa a construir palavras, frases e sentenças próprias, de forma mais estruturada.  

O mesmo processo acontece no aprendizado musical, onde elas também passam por fases de “balbucios musicais”, em que fazem sons que tipicamente não fazem sentido musical para os adultos.

As crianças que paralisam nesta fase, terão enormes dificuldades em conseguir alguns dos benefícios que a música pode proporcionar. 

Isso acontece, porque a maioria dos pais, primeiro, desconhecem essa oportunidade, segundo, mesmo sabendo, não empregam isso na educação dos filhos. 

“Quando os pais percebem que este ensino tem a mesma proposta do ensino da linguagem falada, mas não aplicam em seus filhos, certamente estão os privando de vários benefícios”.   

Eu, como pai, professor e pesquisador da aprendizagem musical infantil,

Tenho a plena convicção que, quando você aplica de forma precisa um processo de musicalização no seu filho(a), como consequência você mudará a sua forma de perceber o mundo.

Justamente porque começará a enxergá-lo além do que a maioria enxerga.  

Por isso, diante dessa constatação, quero te estimular a enxergar o mundo de forma diferente e ampliada.

Onde você tem a oportunidade de proporcionar aos seus filhos uma vida mais abundante.

Onde um processo de musicalização bem estruturado e alinhado pode proporcionar a eles muitos benefícios. 

 

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Um Grande Abraço!

Leonardo Júnior 

1 Comentário


  1. Seu artigo me ajudou bastante. Não tenho filhos, sou um adolescente que recentemente fez 18 anos e sinto falta de estímulos dos meus pais. Transmitir o conhecimento que obtive com a sua ajuda para eles vai ser bastante significante. Obrigado!

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