Só aprende música quem tem o dom?

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Vejo muitas pessoas dizendo frases parecidas como essa: “Ah! mais ele tem o DOM da música, por isso toca ou canta tão bem”. OU: “Música não é para qualquer um, é só para quem tem o DOM!”.

Um tempo atrás, trabalhei em uma escola pública lá, tive a oportunidade de dar aula para um Coral Infantil, com crianças de 9 a 10 anos de idade.

A dificuldade para encontrar crianças afinadas nessa escola foi enorme. Tive que lapidar muito as crianças para que elas pudessem ter bons resultados.

Em meio a tantas vozes imaturas, eis que surge a Pollyanna, uma menina de 10 anos, alegre, gentil e, também muito linda.  

Depois de algumas semanas de ensaio, perguntei se alguém do grupo gostaria de cantar a música que eu estava ensaiando, sozinho(a). De Repente, ela levanta a mão e se candidata a cantar sozinha.

Quando eu a ouvi cantando pela primeira vez, não acreditei, não era somente uma voz mais preparada do que o restante do coral, pois isso era óbvio, mas era uma voz muito acima da média da maioria das vozes de crianças dessa idade e, também de muitas adolescentes e jovens cantoras.

Não é exagero, quando ela cantava nas apresentações, todos ficavam encantados com seu talento, realmente era algo descomunal, pois essas competências tão acentuadas não encontramos com frequência.

Perguntei pra ela, se já tinha feito alguma aula de canto. Ela me respondeu que não. Fiquei pasmo!  Como assim? Então, de onde vem todo esse talento? Ela também não soube me responder. Logo comecei a perguntar mais sobre sua vida, sua família, o que ela fazia, etc… 

Portanto, descobri que a mãe dela era cantora na igreja há muito tempo. Desde que a mãe estava grávida da Pollyanna, ela já cantava. 

Esta foi a resposta da minha curiosidade.

Nessa época, eu não tinha essa percepção, por isso, não pude compreender profundamente a intensidade desse processo. Quando comecei a estudar e a pesquisar sobre o aprendizado musical infantil, de imediato me reportei a esse caso.

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É preciso entender que, o talento decorrente da genética de fato existe e, acontece de forma consciente e, muitas vezes inconsciente, eu e meus filhos somos provas cabais disso.  

Meu pai, por exemplo, mesmo não tendo realizado comigo um processo de musicalização de forma consciente e, é claro que na época, isso nem passava pela cabeça dele, mas, mesmo assim de forma inconsciente, ele me proporcionou um contato qualificado com a música, através das aulas que ele dava, dos ensaios e apresentações da banda que ele tocava, estive presente ao lado dele em vários momentos.

Com meus filhos, já foi bem diferente, pois eu já tinha esse conhecimento, por isso, quis construir um processo de musicalização na vida deles, desde quando estavam na barriga da mãe. Com certeza, isso foi muito e rico para eles.   

O que quero expor neste post é que, a genética é muito importante para o desenvolvimento deste processo, mas, não é a única maneira para que um aprendizado eficaz aconteça. Se assim fosse, a maioria das pessoas estariam fadadas ao insucesso.  

Agora, é preciso compreender que, um bom aprendizado acontece também, quando existe um interesse por parte dos pais, em colaborar para uma educação direcionada e qualificada na vida dos seus filhos.

Mesmo que uma criança não nasça em um ambiente musical conveniente, onde nem o pai nem a mãe são músicos, mesmo assim, eles podem se desenvolver. Menciono a música, porque é o nosso assunto aqui, mas poderia ser outra área também”.      

A primeira ação necessária para que um processo de educação musical possa ser efetuado da melhor forma possível em uma criança é, os pais (pai e/ou mãe), entenderem como realizá-lo.

Sem esse entendimento, esqueça, você não terá êxito!

Entender esse processo, não é uma tarefa complexa, mas é indispensável aprender como realizá-la de forma eficiente. Afinal, você estará lidando com uma criança e, além do mais, estará empregando no seu filho(a).    

Para que esse processo de fato tenha êxito, é fundamental que se tenha um acompanhamento minucioso dos pais. Com isso, não pretendo dizer que, os pais precisam ser músicos, mas que tenham essa preocupação de suscitar nos filhos uma educação musical conveniente.

Conheço muitos pais, que não são músicos de fato, não tocam nenhum instrumento e nem cantam, mas possuem um gosto musical refinado, por isso, são preparados para desenvolver um processo de musicalização com os filhos e, obterem excelentes resultados.

Se os pais tiverem essa consciência, certamente irão contribuir para um salto de qualidade na vida dos seus filhos. No post: “A música é um instrumento mais potente que qualquer outro para educação“,  menciono vários benefícios que as crianças adquirem ao serem expostas a uma educação musical ativa. 

Quero deixar bem claro, que não estou eximindo a importância do professor e da escola, só afirmo categoricamente que, a inserção dos pais na educação dos filhos, a partir de casa, será um auxílio favorável para a evolução dos mesmos.      

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Um Grande Abraço!

Leonardo Júnior   

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